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Adolescência

Crescer dói? Sobre a adolescência e suas tempestades

Psicólogo Cesar Fontana Folla · 28 de mai. de 2026 · 6 min de leitura
Crescer dói? Sobre a adolescência e suas tempestades

Crescer dói. Não de forma metafórica apenas — o corpo cresce, a voz muda, o cérebro literalmente se reorganiza. A adolescência é uma das fases de maior transformação na vida humana, e é surpreendente como ela ainda é tão mal compreendida pelos adultos que convivem com jovens nesse período.

Quando um adolescente age de forma intensa, impulsiva ou aparentemente irracional, o que muitas vezes está acontecendo é um cérebro em obras. O córtex pré-frontal — a parte responsável pelo controle de impulsos, planejamento e tomada de decisão — só termina de se desenvolver por volta dos 25 anos. Enquanto isso, o sistema límbico, ligado às emoções e recompensas, já funciona a pleno vapor.

A tempestade por dentro

Essa combinação — emoções intensas, sistema de recompensa ativo e córtex pré-frontal ainda em construção — explica muito do que parece "drama" adolescente. A vergonha sentida diante de um erro social é genuinamente devastadora para um adolescente. O entusiasmo por uma nova ideia é genuinamente avassalador. A dor de uma amizade rompida é genuinamente comparável a um luto.

Minimizar essas experiências — "isso é frescura", "quando você crescer vai ver que não era nada" — não ajuda. Pior: ensina ao jovem que seus sentimentos não são válidos, o que dificulta o desenvolvimento da inteligência emocional.

Adolescentes não estão exagerando. Eles estão sentindo com um sistema nervoso que ainda não aprendeu a regular.

O que eles precisam, muitas vezes, não é de respostas — é de presença. Um adulto que consiga tolerar a intensidade sem fugir nem reagir com a mesma intensidade.

O papel dos adultos ao redor

Pais, professores e outros cuidadores têm um papel crucial nessa fase — mas não como juízes ou controladores. A pesquisa em desenvolvimento humano mostra que adolescentes se saem melhor quando têm ao redor ao menos um adulto que acredita neles, que os escuta sem julgamento imediato e que mantém limites de forma consistente, mas afetuosa.

Isso não significa ausência de regras. Significa que as regras fazem mais sentido quando vêm acompanhadas de explicação e de espaço para o diálogo. Autoridade sem conexão tende a gerar rebeldia ou submissão — nenhuma das duas é o que queremos cultivar.

Se você está acompanhando um adolescente que parece "perdido" ou em sofrimento, considere buscar apoio profissional. A psicoterapia na adolescência não é sinal de problema grave — é um espaço para o jovem entender a si mesmo num momento em que tudo está em transformação. E muitas vezes, também ajuda os adultos ao redor a entender como estar presentes de forma mais efetiva.

A adolescência passa. As marcas que deixamos nessa travessia — de cuidado ou de descuido — duram muito mais tempo.

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